Microgeração de energia é alternativa para pequenas empresas no RN

O Rio Grande do Norte, assim como o restante do Brasil, tem um valor estratégico imenso na área de geração de energia solar e que ainda é pouco explorado.  As pequenas empresas podem aproveitar essa oportunidade ao implantar unidades de mini e microgeração de energia solar com painéis fotovoltaicos, uma saída para driblar os altos  custos da tarifa de energia. Em alguns setores, como é o caso da indústria, a eletricidade chega a representar mais de 40% dos custos de produção de uma empresa. A expectativa é que, até 2020, o preço do megawatt-hora da energia tenha um acréscimo de pelo menos 9%  a cada ano em função dos baixos níveis dos reservatórios.

“A energia é um dos principais custos nos pequenos negócios e é um custo crescente porque dependemos da energia vinda das hidrelétricas. Tanto é que a gente passa a maior parte do ano com a chamada bandeira vermelha. A empresa fica refém da variação da tarifa dessa matriz e o histórico mostra que  esse custo é cada vez mais crescente. Daí já tem uma vantagem do uso da energia solar: diminuir essa dependência”, argumenta a gerente da Unidade de Desenvolvimento da Indústria do Sebrae no Rio Grande do Norte, Lorena Roosevelt, que é especialista em sustentabilidade.

A mini e a microgeração distribuída consistem na produção de energia elétrica a partir de pequenas centrais geradoras, que utilizam fontes renováveis de energia ou cogeração qualificada, conectadas à rede de distribuição. Na microgeração, a potência instalada vai até 75 quilowatts  (kW) e na minigeração até 5 megawatts (MW) no caso de fontes renováveis como a solar.

Funcionamento

Tecnicamente, a geração por painéis é complexa, mas, para o empresário, acaba sendo prática se contratar empresas especializadas para instalação desses equipamentos. Os sistemas fotovoltaicos de energia solar podem ser implantados na empresa em telhados e locais externos ou em outras áreas . A ideia é sempre suprir ao máximo a energia que é consumida pela empresa.

O sistema é integrado à rede de distribuição da concessionária de energia elétrica- no caso a Cosern –  que cobra uma taxa mensal por essa interligação. Caso a microgeração no mês não seja suficiente para suprir o consumo, a empresa paga pelo uso complementar a energia da concessionária. Ao contrário, se a geração exceder ao consumo, a empresa passa a ter créditos que podem ser abatidos futuramente.
Outro benefício de ter um projeto desse junto aos comércios e indústrias é a redução das perdas elétricas, muito comuns nas linhas de transmissão e  distribuição, trazendo assim  mais eficiência econômica e técnica para o sistema.

Isenção de ICMS

Uma das vantagens do uso de energia solar é a isenção de ICMS para quem gera para consumo próprio. Isso porque o Rio Grande do Norte está  entre os estados que aderiram ao convênio do ICMS, chamado de Convênio 16 de abril de 2015. Esse convênio permite aos estados isentar deste tributo a energia de micro e minigeração distribuída, tornando-a mais competitiva e, consequentemente, barateando a energia solar fotovoltaica. Empresas  potiguares, como a Sterbom, Armazém Pará e as águas minerais Amana e Santa Maria, já recorrem a essa tecnologia e consequentemente desse benefício.

A mini e microgeração gera oportunidade para pequenas empresas por dois motivos. Primeiro, como consumidoras, essa microgeração de energia vai reduzir a dependência da fonte tradicional de energia e consequentemente o custo. E de outra forma a micro e pequena empresa como fornecedora de serviços nessa área. São empresas de engenharia, arquitetura, montadoras, instaladoras, empresas que fazem serviços de manutenção e limpeza.

“Uma série de negócios são gerados localmente quando há instalação de placas fotovoltaicas. Tem essas duas frentes, não só a pequena empresa como usuária da energia solar mas também a pequena empresa como participante da cadeia de valor da energia”, explica Lorena Rooselvet.

Crédito disponível

 

Para se ter uma ideia do crescimento desse mercado, basta saber que painéis e células solares foram o segundo item mais importado pelo RN neste ano. Até novembro, o estado somou US$ 16 milhões com a importação desses equipamentos. “Há uma grande possibilidade de diversificação da matriz energética aqui, no estado, e as pequenas empresas podem aproveitar essa oportunidade”, diz a gerente. De acordo com estudo feito no primeiro semestre deste ano pela Clean Energy Latin America (CELA), em parceria com o Sebrae, o Rio Grande do Norte tem uma potência instalada de energia solar de 1.191 kW, bem abaixo do vizinho Ceará, cuja potência é de 7.804 kW, a segunda maior do Brasil, atrás apenas de Minas Gerais.

Uma vantagem para as empresas nordestinas é a disponibilidade de uma linha de crédito, chamada FNE SOL, na qual o Banco do Nordeste libera recursos a uma taxa de juros de 6,5% a 11% ao ano para pessoas jurídicas independente do porte ou perfil e em um prazo de amortização de 12 meses e carência de até um ano para investir em energia solar fotovoltaica.

Somente no Rio Grande do Norte, o banco chegou a financiar através dessa linha mais de R$ 3,7 milhões até julho deste ano, recursos que foram aplicados em 21 projetos de instalação de painéis fotovoltaicos em empresas de doze municípios potiguares, sendo oito deles em Natal e dois em Macaíba. Além do Banco do Nordeste, o Banco do Brasil, Caixa, Santander e BNDES também têm linhas de crédito para essa finalidade.

Apoio técnico

O Sebrae pode auxiliar essas empresas que estão querendo se inserir nessa cadeia  e ter esse serviço de instalação de placas solares em seu portifólio na melhoria da profissionalização dessas empresas e aproxima-las das referências que temos no estado relação à inovação para energias renováveis como é o caso do CTGás, que é cadastrado no Sebrae para oferecer consultoria tecnológicas nessa área inclusive com subsídio de 70%.

Mas Lorena Roosevelt faz um alerta: “É muito importante que, se a empresa deseja investir nessa área, coloque isso dentro do seu plano futuro de médio e longo prazos. Trata-se de um investimento que ainda é bem representativo pelos custos de importação de equipamentos. É importante que esse investimento esteja dentro do orçamento e planejamento geral da empresa”.

Segundo ela, outra vantagem é o payback. Entre 5 e 8 anos o empresário tem o retorno desse investimento, já que os equipamentos têm em média 25 anos de garantia que vão gerar energia própria.” É uma tecnologia que já vai estar paga e está plenamente testada e aprovada. Isso é um diferencial”, ratifica a especialista.

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